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O ônibus espacial: Sistemas de suporte à vida/atmosfera (Parte 11.1)
Os sistemas de suporte à vida do ônibus espacial automaticamente fornecem ar e água para a tripulação. A atmosfera do veículo é mantida semelhante às condições encontradas na Terra. A pressão do ar é controlada em 14.7 psi, como a atmosfera padrão ao nível do mar. A composição do ar para a tripulação é de 21% de oxigênio e 79% de nitrogênio. Cada sistema de pressurização da cabine usa normalmente 2 recipientes de armazenamento de oxigênio e 2 de nitrogênio, além de um recipiente de oxigênio de emergência. Uma pessoa normal consome cerca de 0.8 kilos de oxigênio por dia. O sistema tem que prover a composição adequada de ar suficiente para toda a tripulação para o período previsto da missão e com folga para situações anormais. Além disso, visto que produzimos dióxido de carbono ao respirarmos, a atmosfera do veículo tenderia a ficar cada vez mais contaminada com esse gás a medida que o tempo passa a bordo, o que seria impossível para a sobrevivência. Portanto, existe um sistema composto de “canisters” de hidróxido de lítio e carvão ativado que filtra o ar e retira o dióxido de carbono e odores do ar da cabine. Ventiladores circulam o ar continuamente no ambiente e forçam a passagem do mesmo pelos filtros. Os filtros são localizados no “mid deck” e devem ser trocados periodicamente. O tempo de troca depende do número de pessoas a bordo. São usados 2 canisters de cada vez. Como exemplo, com quatro pessoas a bordo, os filtros têm de ser trocados a cada 24 horas. Eles são trocados alternadamente, isto é, troca-se 1 filtro a cada 12 horas. A responsabilidade de trocar os filtros é compartilhada pelos membros da tripulação e a escala é feita pelo comandante e pelo controle de missão.
O controle do sistema de pressurização fica no lado esquerdo do painel do comandante, painéis L1 e L2. Existem dois sistemas redundantes em paralelo, primário e secundário. O painel permite selecionar as fontes de gases para cada sistema.
O suprimento de oxigênio é carregado em forma de líquido supergelado. O oxigênio líquido evapora a –118 graus Celsius. Cada tanque de oxigênio líquido possui aquecedores que vaporizam parte do líquido supergelado. Dessa forma, a pressão dos tanques é mantida entre 835 e 852 psi. Lembra do problema da Apollo 13? Quando você abre a válvula de suprimento de oxigênio, o gás flui dos tanques para um trocador de calor que aquece o mesmo antes que passe pelo regulador. Quando o oxigênio atinge a válvula de controle de mistura (O2/N2), sua pressão é de 100 psi.
Os tanques de nitrogênio são mantidos a 3300 psi. O regulador do circuito de nitrogênio reduz sua pressão para 200 psi. Esta é a pressão com que o gás atinge a válvula de mistura.
Sensores monitoram constantemente a composição do ar na cabine. Se os sensores indicarem necessidade de mais oxigênio, as válvulas de mistura serão abertas automaticamente (se assim estiverem configuradas) e permitiram o oxigênio fluir para a cabine.
OK! Seguem abaixo mais algumas respostas das questões feitas anteriormente.
Senhores, prestem atenção no painel de controle da nave... eh sensacional... adorei. Marcos, quanto tempo de treinamento até dominar todos dos comandos/controles? (André Santos)
Pelo menos 2 anos!
Primeiramente, parabéns pela série, está muito bem feita e cheia de informações interessantes. Bem, vamos a dúvida: No filme Armagedon a nasa teria construído duas naves aparentemente, substituindo os ônibus espaciais. A nasa hoje tem algum cronograma para o desenvolvimento de novos tipos de "transporte espacial"? (Fábiø H.)
Sim. O Congresso Americano determinou que a NASA pare os ônibus espaciais em 2010. O substituto já esta a caminho e espera-se que esteja em operação por volta de 2012 (eu duvido).
Olá Marcos Pontes. Parabéns pelo seu blog. Quando li que os computadores do "ônibus espacial" eram do tipo 286 fiquei impressionado e decidi ler todos os demais textos do seu blog. São excelentes e, o que é legal, faz a gente olhar para frente, sentindo confiança no mundo e tendo a sensação de que, se fizermos nossa parte, haveremos de construir um futuro maravilhoso para todos os habitantes deste planeta. Seu texto é muito positivo e espero que, de hoje em diante, eu visite seu blog com mais freqüência. Depois de ter lido a respeito do "ônibus espacial", gostaria de sugerir se você não poderia comentar um pouco acerca de como é o lançamento de uma nave espacial russa. Soyuz, é isso? Parabéns e muito sucesso ao seu blog. PS. Adorei saber que a palavra "sputnik" tem o sentido de "companheiro". José Marcos
Obrigado pelos comentários! Continue nos acompanhando, espero que goste. Visite também a nossa pagina www.marcospontes.net para outros textos.
Que Marcos Pontes me corrija se estiver errado, mas a NASA não utiliza estes processadores por opção, mas sim por "falta de opção" ou "custo x benefício". A questão é que esta série de chips passou por alguns anos de testes e homologação destas aplicações até que fossem "homologados" sem falhas. Não seria vantajoso para a NASA refazer todos os testes de processador e homologação das aplicações visto que o sistema é adequado às necessidades, que prezam pela segurança e não pela velocidade de processamento ou gráficos fantásticos. No caso destas aplicações, quanto mais simples melhor. Parabéns, Marcos. Marco Valadares
Sem duvida. É isso mesmo.
Olá! Gostaria de saber quando está programado para ser lançado o VLS brasileiro??
Ainda não temos data. Os sistemas do veículo foram aperfeiçoados em relação ao protótipo 3. Os procedimentos também. Contudo, problemas administrativos (licitação) com a construção da torre de lançamento têm atrasado o lançamento significativamente. Isso é EXTREMAMENTE LAMENTÁVEL. Sem dizer que, para reduzir o risco de novos acidentes, também será necessário que todos os sistemas, instalações e pessoal (especialmente) estejam testados e treinados. Isso só pode ocorrer com uso freqüente da base para lançamentos. Isso não tem ocorrido.
Sr Marcos! Como primeiro Astronauta brasileiro a ir para espaço, por que se aposentar tão cedo?! Por que não ajudar o Brasil a desenvolver-se mais em questão?
Escrevi muito já sobre esse assunto. Veja na pagina www.marcospontes.net. Tenho continuado normalmente o meu trabalho no programa espacial brasileiro. A decisão do Comando da Aeronáutica em me passar para a reserva foi bastante acertada, muito comum em todos os paises desenvolvidos, e permite o uso de minhas habilidades profissionais em muito maior amplitude para o país. Qualquer comentário, opinião, ou especulação fora disso deve ser desconsiderado.
Olá Marcos: Sou aluna de jornalismo de Belo Horizonte e gostaria muito de fazer uma entrevista com você sobre a profissão de astronauta para a faculdade. Estamos apostando muito nessa profissão como profissão do futuro e para abrilhantar nossa matéria gostaríamos de contar com a sua participação. Teria como fazê-la? Poderia ser mesmo pela internet!! Grata, Deborah Mageste
Oi Debora, sem problemas! Entre em contato conosco através da nossa página www.marcospontes.net.
Marcos, uma curiosidade: Entendo a necessidade do trabalho em equipe, sem ele seria impossível tamanhas conquistas das agências espaciais... mas considerando a ambição e a vaidade humana, como a 'NASA' administra os conflitos? E como é o processo de seleção para montar uma tripulação? É avaliado este aspecto? (André Santos)
Sim, e muito!!! Um dos requisitos indispensáveis para ser um astronauta é a facilidade em trabalhar em equipe. A NASA coloca todos os requisitos de currículo, depois coloca os exames médico, físico, psicotécnico e entrevista. Depois, durante o curso e treinamento, somos continuamente avaliados. Uma falha nessa área significa estar fora do grupo e dispensa da profissão.
Que erro grave que foi autorizar o último lançamento da Challenger. Será que não havia meios de detectar o problema que havia no foguete? Naquela época os lançamentos dos ônibus espaciais eram bem mais freqüentes, foram 9 lançamentos em 1985 e o da Challenger já era o segundo de 1986 e ainda era janeiro. Hoje quando a NASA lança 4 ou 5 por ano é muito, o cuidado parece ter sido triplicado depois dos acidentes da Challenger e da Columbia.
Conhecendo o pessoal de segurança, se o problema do Challenger tivesse sido detectado, teriam segurado a decolagem e evitado a morte dos astronautas. Atualmente o cuidado passou a ser tanto que quase ultrapassa a capacidade técnica de assegurar a segurança. Isso tornaria as missões inviáveis. Existe um nível de risco alto nas missões. Todos nós, astronautas, sabemos disso e aceitamos o risco como parte da nossa profissão (como um piloto militar em missão de guerra).
Caro Marcos Pontes, Refaço uma pergunta postada tardiamente no artigo de 13/3/07. Naquele texto, você diz que os três motores principais são acionados pouco antes dos dois foguetes de propelente sólido. No entanto, na foto que ilustra a coluna, os motores principais não parecem acionados, somente os foguetes. Estou enganado? Abraços.
Não notei isso na foto, mas certamente isso não acontece no mundo real. SEMPRE os motores principais são acionados ANTES dos foguetes de propelente sólido.
Estou ansiosa para saber como foi ver o Papa!
Foi uma experiência única. Muito marcante pela figura publica de importância para a paz do mundo que ele representa.
Grande abraço a todos!
Marcos Pontes