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Blog do Astronauta

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    O ônibus espacial 9.1: manobras no espaço

    Para grandes manobras, como mudanças de órbita, inserção e queima de reentrada, o ônibus espacial possui o Sistema de Manobras Orbitais (OMS), que é constituído de dois motores foguete de propelente líquido. Os motores são localizados na parte traseira da espaçonave, um de cada lado da base do estabilizador vertical, e têm 12 mil libras de empuxo.

    Para manobras menores, como acoplamento, estabelecimento e manutenção de atitude, o veículo dispõe do Sistema de Controle de Reação (RCS). Esse sistema é composto de conjuntos de pequenos motores foguete de propelente líquido localizados no nariz e na cauda do veículo.

    Eles são divididos nos três eixos principais e podem movimentar o veículo em rotação e pequenas translações. Cada conjunto possui motores de dois tipos: primários e verniers. Os primários têm 870 libras de empuxo e os verniers, para manobras precisas, apenas 24 libras de empuxo.

    O RCS é utilizado também como alternativa para auxiliar, concluir ou realizar isoladamente a redução de órbita (queima) de reentrada. O sistema é usado para manobrar o veículo depois da queima de reentrada, até que as superfícies aerodinâmicas tornem-se efetivas na atmosfera mais densa.

    Portanto, sempre temos de tomar muito cuidado com o controle do seu propelente (deve sobrar quantidade suficiente para manter o controle na reentrada!) e integridade do sistema de alimentação.

    Para controle da alimentação dos sistemas, a tripulação conta com os painéis no topo da cabine de controle, onde pode controlar o propelente para cada grupo isoladamente.

    As manobras podem ser realizadas manualmente pelo piloto ou pelo comandante utilizando o “manche” (RHC – Rotational Hand Controller) e o controle de translação (THC – Translational Hand Controller) do painel frontal, ou programadas no piloto automático (DAP – Digital Auto Pilot), localizado no pedestal central entre os assentos do piloto e do comandante na cabine de controle.

    É também interessante notar que, para as manobras de acoplamento, visto que o dispositivo de acoplamento do veiculo é localizado no compartimento de carga voltado para o topo do veículo, o piloto utiliza um conjunto de controles secundários (RHC e THC) localizados no painel traseiro da cabine de controle (Flight Deck) para movimentar o veículo, enquanto observa a aproximação pelas janelas superiores e traseiras da cabine.

    Nesse caso, existe um interruptor que pode alterar o sistema de controle em termos de direção de resposta dos inputs dos controles. Isso auxilia o piloto a “raciocinar” com o movimento à frente (aproximação da ISS) e com o movimento para cima em relação aos eixos do corpo do veículo. Isto é, no caso desse interruptor ser acionado, quando o piloto empurra o THC, o veículo move-se “para cima” (no sentido topo do veículo).

    Nas próximas semanas continuaremos com outros sistemas e operações do ônibus espacial. Até lá!

    PS - Acompanhem a missão do Atlantis à ISS na TV Nasa. Atualmente temos cinco astronautas companheiros meus de turma da Nasa (Classe de Astronautas 17 – Turma 98 - Pingüins) no espaço: Sunita (Suni) Willians, Steven (Steve) Swanson, John (Danny) Olivas, Lee (Bru) Archambault e Clayton (Clay) Anderson.

    Um grande abraço,

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perfil

Marcos Cesar Pontes

Marcos Pontes é o primeiro astronauta brasileiro. Após oito anos em treinamento com a Nasa (agência espacial americana), ele tripulou a Missão Centenário, criada pela Agência Espacial Brasileira para a execução de experimentos nacionais (cientificos e educacionais) a bordo da Estação Espacial Internacional, em março de 2006. Atualmente, ele continua à disposição do programa espacial brasileiro, participando de vários projetos espaciais no Brasil e no Centro Espacial Johnson da Nasa, em Houston, Texas.






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