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    O ônibus espacial: a tripulação e suas tarefas a bordo (Parte 7.1)


    Antes de prosseguir nos sistemas do veículo, eu gostaria de fazer duas coisas. Em primeiro lugar, corrigir o último post com relação ao tipo e nome dos computadores usados no sistema de processamento de dados: eles não são 286, são IBM AP-101S -- falha nossa (obrigado Daniel!). Em segundo, falar um pouco sobre os tripulantes e suas tarefas.

    A tripulação do ônibus espacial é normalmente composta de um comandante (CDR), um piloto (PLT) e cinco especialistas de missão 1 (MS1 a MS5).

    A equipe treinada opera como um organismo único. Tudo é extremamente sincronizado. Não existem egos, melindres ou egoísmo. A vida de todos depende do bom trabalho de cada um. Cada linha de procedimento crítico de configuração é executada por dois tripulantes. Enquanto um executa, o outro verifica “por cima dos ombros” para evitar erros.

    Seres humanos são passíveis de cometer erros. Isso faz parte da nossa natureza, assim como a beleza do poder da criação, da imaginação. O que precisamos então é de grande atenção nos momentos críticos e um fortíssimo senso de trabalho em equipe para reduzir as possibilidades de erros graves. Assim, antes de comandar a atuação qualquer sistema importante ou perigoso, como acionar o sistema de manobra orbital ou ligar um APU, o executante confirma a ação com os outros tripulantes disponíveis.

    A seqüência de procedimentos é acompanhada “de perto” pelo pessoal do Centro de Controle de Missão (MCC), em Houston. Cada início de procedimento ou alteração é informada pelo rádio. O MCC também informa qualquer alteração significativa nos sistemas, ou mudanças necessárias nos procedimentos.

    Conheça mais sobre todos os membros da tripulação:


    Comandante (CDR)
    Formação típica:
    - Americano
    - Militar (ativa ou reserva)
    - Piloto de caça
    - Experiência em missões de guerra
    - Piloto de provas
    - Mais de 3000 horas de vôo
    - Graduação em engenharia
    - Mais de 8 anos de treinamento como piloto de ônibus espacial
    - Pelo menos uma missão espacial como piloto
    Posição durante decolagem e pouso:
    - Flight Deck – Cadeira da esquerda
    Tarefas:
    - Ser responsável por todas as operações na missão
    - Ser responsável pela segurança e bem estar da tripulação
    - Pilotar o veículo durante a aproximação e pouso
    - Pilotar a espaçonave durante procedimentos anormais que assim necessite
    - Auxiliar os especialistas de missão nas suas tarefas específicas em órbita
    - Coordenar a execução dos procedimentos normais
    - Operar os sistemas controlados a partir do painel frontal nos setores esquerdo e central, do painel superior nos setores esquerdo e central e do console entre piloto e comandante. Como: sistema de processamento de dados, sistema de controle de temperatura, sistema de controle de atmosfera, piloto automático e sistema de manobra orbital, entre outros.

    Piloto (PLT)
    Formação típica:
    - Americano
    - Militar (ativa ou reserva)
    - Piloto de caça
    - Experiência em missões de guerra
    - Piloto de provas
    - Mais de 2500 horas de vôo
    - Graduação em engenharia
    - Mais de 5 anos de treinamento como piloto de ônibus espacial
    Posição durante decolagem e pouso:
    - Flight Deck – Cadeira da direita
    Tarefas:
    - Pilotar o veículo durante manobras de aproximação e acoplamento
    - Pilotar o veículo durante manobras de verificação e desacoplamento
    - Limpar e manter o sistema sanitário
    - Assumir a pilotagem sempre que o comandante determinar
    - Auxiliar especialistas de missão nas suas tarefas específicas em órbita
    - Operar sistemas controlados a partir do painel frontal nos setores direito e central, do painel superior nos setores direito e central e do console entre o piloto e o comandante. Como os sistemas elétrico e hidráulico, os motores principais e o trem de pouso, entre outros.

    Especialista de Missão 2 (MS2)
    Formação típica:
    - Operacionalmente o mais experiente dos especialistas de missão a bordo
    - Experiência de pilotagem
    - Mais de 1000 h de vôo
    - Pós-Graduação em exatas ou biológicas
    - Mais de 10 anos de treinamento como especialista de missão
    - Especialização em mais de duas das seguintes áreas: operação de sistemas robóticos, atividade extra-veícular, manutenção de sistemas, atendimento médico de emergência, sobrevivência, salvamento e resgate
    Posição durante decolagem e pouso:
    - Flight Deck – Segunda fila, cadeira central, entre PLT e CDR
    Tarefas:
    - Acompanhar e verificar execução correta dos procedimentos normais do piloto e do comandante
    - Coordenar procedimentos anormais e de emergência
    - Calcular parâmetros de pilotagem durante reentrada manual
    - Executar atividades extra-veiculares
    - Executar experimentos
    - Operar todos os sistemas específicos em órbita, como: sistema de portas do compartimento de cargas, braço robótico, lijamento/estoque de água, sistema elétrico, fotografia e filmagem, equipamento de suporte médico, sistemas mecânicos, assentos e acessórios, sistema de avisos e alarmes, sistema de comunicação.

    Especialista de Missão 1 (MS1)
    Formação típica:
    - Experiência de pilotagem
    - Mais de 500 h de vôo
    - Pós-Graduação em exatas ou biológicas
    - Mais de 6 anos de treinamento como especialista de missão
    - Especialização em uma ou duas das seguintes áreas: operação de sistemas robóticos, atividade extra-veícular, manutenção de sistemas, atendimento médico de emergência, sobrevivência, salvamento e resgate
    Posição durante decolagem e pouso:
    - Flight Deck – Segunda fila, cadeira da direita, atrás do piloto
    Tarefas:
    - Acompanhar, manter controle, informar ao especialista de missão 2 a situação operacional de todos os sistemas da espaçonave, avaliando impactos de falhas sobre outros sistemas e possíveis falhas em cadeia.
    - Auxiliar e verificar os procedimentos do piloto
    - Auxiliar o especialista de missão 2 nos cálculos dos parâmetros de pilotagem durante reentrada manual
    - Executar atividades extra-veículares
    - Executar experimentos
    - Operar todos os sistemas específicos em órbita, como: sistema de portas do compartimento de cargas, braço robótico, alijamento/estoque de água, sistema elétrico, fotografia e filmagem, equipamento de suporte médico, sistemas mecânicos, assentos e acessórios, sistema de avisos e alarmes e sistema de comunicação.

    Especialistas de Missão 3, 4 e 5 (MS3, MS4, MS5)
    Formação típica:
    - Experiência de pilotagem
    - Mais de 500 h de vôo
    - Pós-Graduação em exatas ou biológicas
    - Mais de 6 anos de treinamento como especialista de missão
    - Especialização em uma ou duas das seguintes áreas: operação de sistemas robóticos, atividade extra-veícular, manutenção de sistemas, atendimento médico de emergência, sobrevivência, salvamento e resgate
    Posição durante decolagem e pouso:
    - Middle Deck
    Tarefas:
    - Executar atividades extra-veículares
    - Executar experimentos
    - Operar todos os sistemas específicos em órbita, como: sistema de portas do compartimento de cargas, braço robótico, alijamento/estoque de água, sistema elétrico, fotografia e filmagem, equipamento de suporte médico, sistemas mecânicos, assentos e acessórios, sistema de avisos e alarmes e sistema de comunicação.

    Grande Abraço!

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perfil

Marcos Cesar Pontes

Marcos Pontes é o primeiro astronauta brasileiro. Após oito anos em treinamento com a Nasa (agência espacial americana), ele tripulou a Missão Centenário, criada pela Agência Espacial Brasileira para a execução de experimentos nacionais (cientificos e educacionais) a bordo da Estação Espacial Internacional, em março de 2006. Atualmente, ele continua à disposição do programa espacial brasileiro, participando de vários projetos espaciais no Brasil e no Centro Espacial Johnson da Nasa, em Houston, Texas.






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