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    O ônibus espacial, parte 6.1: o sistema de bordo

    Cinco computadores IBM AP101S executam todas as tarefas de processamento de dados dentro dos ônibus espaciais americanos (Atlantis, Discovery e Endeavour -- os que sobraram após as explosões do Challenger e do Columbia).

    Esses computadores podem operar independentemente ou em conjunto. Existem dois programas básicos de controle da espaçonave: um principal e um reserva. São como sistemas operacionais (Windows) nos nossos computadores pessoais. O principal é bem mais completo e complexo, possuindo todas as funções de todas as fases. O reserva é bem mais simples e não possui todas as funções, aumentando bastante a carga de trabalho da tripulação.

    Normalmente, quatro computadores “rodam” o programa principal e um “roda” o programa reserva. Todos os cinco computadores recebem exatamente as mesmas informações dos barramentos de dados. Depois de processar os dados, eles dão uma resposta (“output”) nos barramentos de saída.

    O computador com o programa reserva tem a sua saída inibida por um comando (através de um interruptor) que a tripulação opera durante a configuração normal. Os outros quatro computadores lêem as saídas uns dos outros e comparam internamente os valores. Caso exista alguma incompatibilidade, eles determinam qual computador está operando irregularmente e o eliminam do grupo.

    Caso os quatro tenham alguma falta de sincronia, a tripulação imediatamente deve acionar o programa reserva, desligando a saída dos quatro principais e permitindo a atuação do reserva. Todos os dados entre os computadores e os sistemas são convertidos de sensores e para atuadores através de MDMs (multiplexadores/demultiplexadores), que traduzem respectivamente na direção correta a linguagem de dados digital ou analógica.

    Duas memórias de “tape” magnéticas armazenam todos os dados e programas necessários, provendo 34 MB de informações (isso era “top de linha” quando os veículos foram projetados na década de 70. Observe como os valores parecem extremamente pequenos hoje em dia, com o avanço impressionante da área. O sistema é mantido sem alterações até hoje porque cumpre a sua função normalmente e todos os seus componentes já são muito testados em condições operacionais extremas).

    Para interface de informações e comandos da tripulação com o sistema, temos displays que condensam todos os valores de interesse de determinados sistemas em dada fase de vôo, assim como teclados que nos permitem introduzir comandos e dados no sistema. Também existe um sistema de alarmes, com sons e um painel de luzes de aviso e emergência.

    Para cada fase de vôo existe um subprograma (aplicativo) que deve ser selecionado, na maioria das transições, pela tripulação. Eles são escritos na linguagem “High Order Assembly Language/Shuttle” (HAL/S). A tabela abaixo apresenta a lista desses aplicativos:

    Número do programa / Fase de vôo

    901 / Monitoramento pré-vôo
    101 / Pré-lançamento (T-20)
    102 / Subida: operação dos foguetes de propelente sólido (SRB)
    103 / Subida: separação dos SRBs até o corte dos motores
    104 / Inserção: corte dos motores até primeira queima OMS
    105 / Inserção: operação dos OMS (queima 1 e queima 2)
    106 / Inserção: após segunda queima
    201 / Órbita
    202 / Manobras no espaço
    801 / Checagem de sistemas em órbita
    301 / Deórbita: preparação para queima de reentrada
    302 / Deórbita: queima de reentrada
    303 / Reentrada: checagem de sistemas
    304 / Reentrada
    305 / Vôo atmosférico e pouso
    601 / Emergência: aborta com retorno para pouso no ponto de lançamento (RTLS)
    602 / RTLS: Planeio 1
    603 / RTLS: Planeio 2

    Grande abraço a todos!

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perfil

Marcos Cesar Pontes

Marcos Pontes é o primeiro astronauta brasileiro. Após oito anos em treinamento com a Nasa (agência espacial americana), ele tripulou a Missão Centenário, criada pela Agência Espacial Brasileira para a execução de experimentos nacionais (cientificos e educacionais) a bordo da Estação Espacial Internacional, em março de 2006. Atualmente, ele continua à disposição do programa espacial brasileiro, participando de vários projetos espaciais no Brasil e no Centro Espacial Johnson da Nasa, em Houston, Texas.






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