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    O ônibus espacial, parte 4: a inserção em órbita

    Logo após a separação do Tanque Externo (ET), o ônibus espacial realiza uma manobra para registrar a queda e inspecionar o ET durante a sua reentrada na atmosfera. Nessa manobra o veículo assume uma posição invertida, de forma a termos uma ótima visão do ET através das janelas localizadas na parte superior (“teto”) da cabine de comando. Esse registro, feito por filmagem e fotografia, hoje em dia é usado como parte da análise das equipes de solo a respeito de possíveis danos estruturais no veículo orbital por partes de revestimento do ET desprendidos durante a subida.

    Sem o ET preso ao seu ventre, o veículo orbital está, então, livre de todo o equipamento de propulsão extra anexado para permitir a sua chegada ao espaço.

    A órbita nesse instante é elíptica de baixa altitude. A permanência nessa órbita iria forçar a reentrada do veículo na atmosfera. Assim, no ponto mais alto dessa órbita, realizamos a primeira “queima” (acionamento) positiva dos dois propulsores do OMS (Orbital Maneuvering System). Esse procedimento é chamado OMS-1. Esses dois foguetes, alimentados por hidrazina e localizados na parte inferior do estabilizador vertical, produzem 6.000 libras de empuxo cada um. Essa queima aumenta a velocidade da espaçonave e ocasiona um primeiro ganho em altitude de órbita.

    Depois de aproximadamente 45 minutos (meia órbita), os propulsores do OMS são acionados novamente para um segundo aumento de altitude e circularização de órbita, levando o veículo a uma altitude final de cerca de 400 quilômetros. Essa queima é chamada OMS-2. A altitude final de órbita, assim como a necessidade ou não da execução do OMS-1 são ditados por fatores específicos de cada missão. O Centro de Controle coordena todos os parâmetros junto com a tripulação.

    Durante o período de inserção, a tripulação toda tem atividades intensas na reconfiguração dos sistemas para a órbita. O ônibus espacial tem dois “decks”: o “flight deck” e o “middle deck”. No primeiro, estão presentes todos os controles de vôo do veículo. No segundo, ficam os experimentos, o banheiro, materiais diversos, sacos de dormir, e outros equipamentos de suporte. Enquanto o Comandante, o Piloto e os Especialistas de Missão 1 e 2 preparam os sistemas e comandam as queimas no “Flight Deck”, os outros Especialistas de Missão, normalmente mais 3, preparam tudo no “middle deck”.

    A reconfiguração inclui mudanças de válvulas nos sistemas de controle de atmosfera, sistema elétrico, refrigeração, processamento de dados, sistema de suporte à vida, controle de atitude, comunicação etc.

    Nas próximas notas, continuaremos com a fase de órbita!

    Grande abraço a todos!

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perfil

Marcos Cesar Pontes

Marcos Pontes é o primeiro astronauta brasileiro. Após oito anos em treinamento com a Nasa (agência espacial americana), ele tripulou a Missão Centenário, criada pela Agência Espacial Brasileira para a execução de experimentos nacionais (cientificos e educacionais) a bordo da Estação Espacial Internacional, em março de 2006. Atualmente, ele continua à disposição do programa espacial brasileiro, participando de vários projetos espaciais no Brasil e no Centro Espacial Johnson da Nasa, em Houston, Texas.






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