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Blog do Astronauta

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    Desafios tecnológicos na proa do espaço

    Por aqui, a meta da NASA é levar gente de volta à Lua até 2020, em preparação a futuras viagens a Marte, com data ainda indeterminada. É verdade que os americanos já estiveram em solo lunar nos anos 60 e 70, mas muitos desafios ainda precisam ser resolvidos quando se fala em exploração espacial.

    Devido a todas as fragilidades e necessidades básicas do corpo humano, é necessário desenvolver sistemas para prover por longos períodos alimento, ar, água, temperatura adequada, meios de descartar dejetos, e de proteger a nós, astronautas, dos perigos da radiação, da perda acentuada de densidade óssea e de outros problemas fisiológicos ligados ao ambiente espacial.

    Solucionar esses problemas eficientemente significa desenvolver equipamentos confiáveis, pequenos, leves, auto-suficientes e que possam operar em condições extremas de temperatura, pressão, radiação, vibração e grandes acelerações. Isso é sempre uma tarefa difícil, mas também pode trazer muitas recompensas inesperadas.

    No caminho das soluções finais no projeto desses equipamentos, inevitavelmente, são encontradas também algumas inovações extremamente úteis para aplicação imediata no mercado. São os chamados “spinoffs”. Produtos que não são objetivo final dos referidos sistemas espaciais, mas que têm de ser criados em algum estágio dos desenvolvimentos.

    O Programa Constellation (Constelação), por exemplo, que está sendo desenvolvido com objetivo de levar seres humanos à Lua e a Marte, certamente fará uso de robôs também. Muitos deles. Esses sistemas robóticos poderão trabalhar na montagem, manutenção e verificação de sistemas em ambientes e condições iniciais perigosas demais para arriscar humanos.

    Provavelmente eles serão “modulares” – por razões logísticas, é mais eficiente que os mesmos sejam compostos por “blocos” reconfiguráveis, e que essa reconfiguração seja feita pelos próprios robôs ou por astronautas.

    Essas máquinas “auto-reconfiguráveis”, originalmente desenhadas para coletar amostras e outras tarefas “de outro mundo”, também podem facilmente ser adaptadas para funções médicas, respostas de emergência e outras tantas aplicações terrestres.

    Novas capacidades serão necessárias para trabalhar e explorar as rarefeitas e distantes superfícies da Lua e de Marte. A fina poeira que encontrarão será um desafio para ambos: robôs e humanos. A possível exposição, considerando missões de longa duração e inevitável contato durante o período, poderá contaminar sistemas de suporte à vida, danificar pulmões, componentes mecânicos e elétricos. Novos materiais, revestimentos e lubrificantes serão desenvolvidos para atender a essas necessidades. Esses materiais irão também encontrar aplicações em ambientes aqui no planeta, em algum lugar entre o frio intenso e seco da Antártida e a poeira quente do Saara.

    Outra área difícil para as explorações da Lua e Marte será a geração de energia suficiente, confiável e de grande duração, para apoiar as operações necessárias. Isso poderá ser feito por geradores de larga escala ou até por baterias recarregáveis, células de energia e outros recursos. Energia será essencial para todas as áreas de habitação, sistemas de comunicação, trajes, equipamentos portáteis, veículos e experimentos. Assim, uma infinita demanda por baterias e outras “pequenas soluções” será criada. Preparem-se para os microcelulares!

    Em resumo, os próximos anos, ou poderíamos dizer, as próximas dificuldades, trarão muitas coisas “de cinema” para o nosso dia-a-dia. Novidades estão surgindo a cada segundo nos laboratórios das universidades, nos centros de pesquisa e nas indústrias de todos os países que trabalham com projetos espaciais de ponta. É um desafio constante com enormes recompensas para aqueles países e instituições que têm a coragem de assumir as possibilidades e riscos do investimento.

    No Brasil, esperamos fazer jus à tal da “criatividade do brasileiro”. Expressão que aparentemente nos orgulha bastante, mas que certamente precisa ser apoiada por uma política adequada de infra-estrutura e ser direcionada para aplicações honestas e positivas. O programa espacial é certamente um campo aberto para isso! Contamos com os nossos administradores e cientistas! Os resultados seguirão normalmente. Quem viver, verá!

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Marcos Cesar Pontes

Marcos Pontes é o primeiro astronauta brasileiro. Após oito anos em treinamento com a Nasa (agência espacial americana), ele tripulou a Missão Centenário, criada pela Agência Espacial Brasileira para a execução de experimentos nacionais (cientificos e educacionais) a bordo da Estação Espacial Internacional, em março de 2006. Atualmente, ele continua à disposição do programa espacial brasileiro, participando de vários projetos espaciais no Brasil e no Centro Espacial Johnson da Nasa, em Houston, Texas.






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